Boicote e Sanções a Israel

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, na oposição, reclamou na sexta-feira que o Reino Unido congele as vendas de armas a Israel e condene a matança de civis palestinos em Gaza.

Corbyn escreveu no Twitter: «A ONU diz que as mortes de manifestantes efectuadas por Israel em Gaza — incluindo crianças, paramédicos e jornalistas — podem constituir “crimes de guerra ou crimes contra a humanidade”.» E o líder trabalhista acrescenta: «O governo do Reino Unido deve inequivocamente condenar as mortes e congelar as vendas de armas a Israel.»

A declaração de Corbyn surge no dia seguinte a investigadores da ONU acusarem as forças israelitas de dispararem intencionalmente sobre civis palestinos que participavam nas manifestações da Grande Marcha do Retorno, na Faixa em Gaza, no que afirmam poder constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade.

Carta aberta à Administração da Rádio e Televisão de Portugal

No dia 13 de Setembro de 2018, a Eurovisão decidiu atribuir à cidade de Telavive, em Israel, a organização da edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção.

O Festival Eurovisão da Canção pretende celebrar a diversidade cultural, os valores da paz, da cooperação e da tolerância. É inconciliável com tais valores a política de Israel de desrespeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e da Declaração Universal dos Direitos do Homem, a sua atitude de reiterada violação dos direitos humanos e da legalidade internacional.

A organização por Israel do Festival da Eurovisão compromete irremediavelmente a observância daqueles princípios. Todos os países que calarem tal contradição estarão a caucionar a subversão daqueles valores e a ser cúmplices dos crimes pelos quais o Estado de Israel é reiteradamente censurado na Organização das Nações Unidas.

Cinquenta personalidades da cultura britânica assinaram uma carta convidando a BBC a cancelar a cobertura do Festival da Eurovisão deste ano porque está previsto que ocorra em Israel, a 18 de Maio.

A carta, publicada no jornal britânico The Guardian, critica Israel pela ocupação de territórios palestinos.

Os subscritores, entre os quais se contam a estilista Vivienne Westwood, o cineasta Mike Leigh, as actrizes Julie Christie e Maxine Peake, os músicos Peter Gabriel, Wolf Alice e Roger Waters e os escritores  Caryl Churchill e AL Kennedy, afirmam que «não podemos ignorar a violação sistemática por Israel dos direitos humanos dos palestinos».

«Eurovisão não combina com apartheid!», dizem vários artistas portugueses em carta aberta dirigida à RTP. Os signatários apelam ao boicote da participação de Portugal no Festival da Eurovisão da Canção, que vai decorrer em Israel em 2019, sendo a RTP a responsável pela escolha do representante português.

Entre os artistas signatários contam-se a escritora Alexandra Lucas Coelho, a artista plástica Joana Villaverde, a cantora Francisca Cortesão, os actores João Grosso, Maria do Céu Guerra e Manuela de Freitas, a pintora Teresa Dias Coelho, a cineasta Susana Sousa Dias e o fotógrafo Nuno Lobito, e também o músico José Mário Branco e o director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues.

A Airbnb, plataforma de reserva de alojamentos através da internet, decidiu no início desta semana retirar as ofertas situadas em colonatos israelitas na Cisjordânia, território palestino ocupado pelo exército israelita há mais de 50 anos.

«Concluímos que deveríamos retirar das nossas listas os alojamentos nos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, que estão no centro da disputa entre israelitas e palestinos», indicou o Airbnb num comunicado.

A plataforma indica que estão listados 200 alojamentos nos colonatos, mas não especifica quando é que esta medida entrará em vigor.

A escritora palestino-americana Susan Abulhawa foi detida ontem ao chegar ao aeroporto de Tel Aviv, com a intenção de participar num festival literário na Cisjordânia ocupada, e foi hoje deportada de regresso aos Estados Unidos.

Susan Abulhawa, autora nomeadamente do conhecido romance As Madrugadas em Jenin, deveria participar no Festival Palestino de Literatura, a ter lugar de 3 a 7 de Novembro.

Os serviços de fronteiras israelitas alegaram que a escritora deveria ter previamente obtido um visto, porque em 2015 lhe foi negada entrada na Palestina através da Ponte Allenby, controlada por Israel. Normalmente os cidadãos dos EUA estão isentos de visto para entrar em Israel.

Uma centena e meia de artistas da Europa e de outros países, incluindo os portugueses José Mário Branco, Francisco Fanhais, Tiago Rodrigues, Patrícia Portela, Chullage, António Pedro Vasconcelos e José Luis Peixoto, publicaram hoje no jornal The Guardian um apelo ao boicote do Festival da Eurovisão a realizar em 2019 em Israel.  Publicamos seguidamente o texto do apelo.
 
Nós, os artistas abaixo-assinados da Europa e não só, apoiamos o apelo sincero de artistas palestinos para boicotar o Festival Eurovisão da Canção 2019 a ser acolhido por Israel. Até que os palestinos possam gozar de liberdade, justiça e direitos iguais, não deve haver o procedimento do costume com o Estado que lhes negando os seus direitos básicos.

A cantora estado-unidense Lana Del Rey adiou a sua actuação em Israel na sequência das críticas de admiradores e activistas do mundo inteiro.
A cantora anunciou através da sua conta oficial no Twitter que ia adiar o seu espectáculo em Israel até ao momento em que possa actuar tanto na Palestina como em Israel: «é importante para mim actuar tanto na Palestina como em Israel e tratar igualmente todos os meus admiradores».
«Infelizmente, não foi possível alinhar as duas visitas com um prazo tão curto, e portanto adio a minha participação no Meteor Festival até uma altura em que posso agendar visitas para os meus admiradores tanto israelitas como palestinos, bem como desejavelmente a outros países da região».
A cantora deveria ter sido uma das cabeças de cartaz do Meteor Festival, de 6 a 8 de Setembro, realizado num kibbutz no Norte de Israel ao qual a maioria dos palestinos não teria autorização de acesso.

Um grupo de cientistas rejeita participar numa conferência científica que terá lugar na Universidade de Ariel, localizada no colonato israelita do mesmo nome, um dos maiores da Cisjordânia ocupada. Explicam as suas razões numa carta publicada ontem, 31 de Agosto, no jornal britânico The Guardian, que transcrevemos seguidamente.
 
NÃO DEIXEM A CIÊNCIA LEGITIMAR A OCUPAÇÃO ISRAELITA DOS TERRITÓRIOS PALESTINOS
Cartaz na cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, apelando a Messi para não participar no jogo amigável Argentina-Israel de preparação para o Mundial
A Associação Argentina de Futebol (AFA) decidiu cancelar o jogo amigável marcado para sábado contra Israel, que deveria realizar-se em Jerusalém. Depois de uma pressão crescente vinda de todo o mundo, pedindo à Argentina para boicotar a partida, Messi e os seus companheiros de equipa já não irão a Israel. Foram invocadas «preocupações de segurança» como motivo do cancelamento de última hora.
O cancelamento do jogo ocorre após meses de uma campanha do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) que começou na Argentina. Sindicatos argentinos e as Madres de la Plaza de Mayo juntaram-se ao apelo, e na semana passada houve uma manifestação diante da Associação Argentina de Futebol, em Buenos Aires. 
Após a notícia do cancelamento, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, telefonou ao presidente argentino, Mauricio Macri, pedindo-lhe para intervir, mas Macri respondeu que não tinha autoridade sobre a decisão. 

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