Resistência, Política e Sociedade Palestinas

Dois palestinos foram mortos esta sexta-feira por tiros israelitas durante os protestos da junto à vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza. Os mortos, baleados em incidentes separados, foram identificados como Nedal ‘Abdel Karim Ahmed Shatat, de 29 anos, e Jihad Munir Khaled Hararah, de 24.

Nesta 51.ª semana das manifestações desarmadas da  Grande Marcha do Retorno, as forças repressivas israelitas também feriram outros 181 palestinos, incluindo 53 menores, cinco mulheres, um paramédico e três jornalistas.

Os soldados israelitas encontravam-se posicionados deitados de bruços e em jipes militares ao longo da vedação, abrindo fogo e disparando bombas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que não representavam qualquer ameaça iminente ou perigo para a vida dos soldados.

Forças israelitas mataram esta quarta-feira um palestino e feriram gravemente um outro num posto de controlo em Belém, informou o ministério da Saúde da Palestina em Ramala. O palestino morto foi identificado como Ahmed Jamal Mahmoud Manasrah, de 26 anos.

Na véspera, terça-feira, as forças israelitas mataram três palestinos e feriram mais de dez jovens na Cisjordânia ocupada.

Omar Abu Leila, de 19 anos, foi morto por soldados e polícias de fronteira israelitas numa casa onde procurara refúgio, na aldeia de Abwein (a norte de Ramala), que  foi invadida por forças israelitas com carros armados, cães, drones, escavadoras e equipas de filmagem. Leila era suspeito de matar um soldado israelita e um colono dois dias antes, perto do colonato ilegal de Ariel, na Cisjordânia ocupada.

Israel atacou cerca de 100 locais na Faixa de Gaza cercada na noite de quinta para sexta-feira.

Nestas condições, a comissão organizadora da Grande Marcha do Retorno «apelou para o adiamento das marchas de hoje [sexta-feira] a título excepcional», guiada pelo «interesse público» e num esforço para manter a calma na Faixa de Gaza e evitar escaladas. É a primeira vez que as manifestações são interrompidas desde o seu início, há 51 semanas.

O exército sionista afirma ter actuado em resposta a dois rockets lançados sobre Tel Aviv a partir da Faixa de Gaza na noite anterior, o que não acontecia desde a agressão israelita de 2014 («operação Margem Protectora»).

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, neste domingo nomeou oficialmente para primeiro-ministro Mohammad Shtayeh, membro do Comité Central da Fatah.

Shtayeh nasceu na aldeia de Tel, perto de Nablus, em 1958, licenciou-se na Universidade de Birzeit e doutorou-se em economia pela Universidade de Sussex, no Reino Unido. Foi também director do Conselho Económico Palestino para o Desenvolvimento e a Reconstrução (PECDAR) e ministro da Habitação e Construção. Foi eleito para o Comité Central da Fatah em 2009 e novamente em 2016. Participou nas negociações de paz intermediadas pelos EUA com Israel em 1991 e novamente em 2013-2014.

Pelo menos um palestino foi morto e 48 foram feridos nesta sexta-feira pelas forças israelitas que reprimiram os manifestantes da Grande Marcha do Retorno ao longo da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza.

Segundo informa o Ministério da Saúde de Gaza, as forças da ocupação sionista disparam balas reais e balas revestidas de borracha contra os manifestantes. Tamer Khaled Arafat, de 23 anos, foi morto por uma bala real que o atingiu na cabeça. Também 24 manifestantes foram feridos por balas reais, enquanto muitos outros foram feridos por balas revestidas de borracha.

Quatro paramédicos foram directamente atingidos e feridos por bombas de gás lacrimogéneo ou granadas atordoantes, ao passo que dois jornalistas foram feridos por balas reais. Foram também feridos 15 menores e duas mulheres.

No dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, as mulheres palestinas continuam a contar-se entre as principais vítimas da ocupação israelita, que oprime o povo palestino e ocupa a sua terra, privando-o dos seus mais básicos direitos, em primeiro lugar os seus imprescritíveis direitos nacionais.

As mulheres palestinas que contribuem para a preservação da cultura e da identidade nacional, as mulheres que participam desde há anos nos protestos contra o Muro do Apartheid e os colonatos, as mulheres que acorrem numerosas à Grande Marcha do Retorno pelo fim do criminoso bloqueio da Faixa de Gaza, as mulheres que estão presas nas cadeias do regime sionista por se oporem à ocupação israelita, as mulheres que deram o seu sangue no caminho da liberdade — todas essas mulheres palestinas são credoras do respeito, da admiração e da solidariedade de todos quantos no mundo inteiro apoiam a justa causa nacional do povo palestino.

Um adolescente palestino de 15 anos foi morto por fogo israelita na noite de quarta para quinta-feira perto da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza. Saif A-Din Abu Zaied foi atingido na cabeça por um atirador especial israelita e veio a morrer no hospital, informou um porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza.

Seis outros manifestantes foram feridos pelas forças israelitas e levados para o hospital.

O adolescente morto participava com outras dezenas de jovens naquilo que é conhecido como uma «unidade nocturna de confusão». Desde Fevereiro passado, jovens palestinos reúnem-se perto da vedação e queimam pneus, lançam papagaios de papel incendiários, accionam sirenes e lançam bombas sonoras, como forma de pressão para que Israel pare com a violência contra os residentes da Faixa de Gaza.

Pela 49.ª semana consecutiva, nesta sexta-feira milhares de palestinos da Faixa de Gaza convergiram para a zona próxima da vedação com que Israel isola o território costeiro para participar na Grande Marcha do Retorno.

Os soldados israelitas feriram 83 palestinos, incluindo 23 menores, uma mulher, três paramédicos e um jornalista, informa o Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR). Três dos feridos encontram-se em estado grave.

As forças sionistas, que posicionaram atiradores e jipes militares ao longo da vedação, continuaram a reprimir os manifestantes, abrindo fogo e atirando bombas de gás lacrimogéneo. Dezenas de manifestantes foram atingidos por balas e bombas de gás lacrimogéneo, quando não representavam qualquer ameaça para a vida dos soldados.

A deputada palestina Khalida Jarrar foi libertada na manhã desta quinta-feira, 28 de Fevereiro, após 20 meses de detenção administrativa (prisão sem julgamento nem culpa formada).

Khalida Jarrar é dirigente da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e deputada ao Conselho Legislativo Palestino (parlamento), chefiando o seu comité de presos, e é também representante palestina no Conselho da Europa.

Numa entrevista imediatamente após a sua libertação, Khalida Jarrar afirmou que «os presos são parte integrante do movimento do povo palestino, e a sua mensagem é sempre a unidade». Destacou também as condições das mulheres palestinas presas e o seu papel no movimento dos presos.

Um rapaz palestino de 15 anos foi morto esta sexta-feira com uma bala no peito pelas forças israelitas que reprimiram a Grande Marcha do Retorno, junto à vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza. O jovem chamava-se Youssef Said Hussein al-Dayeh.

Nesta 48.ª sexta-feira consecutiva dos protestos, foram além disso feridos por balas reais ou revestidas de borracha pelo menos 41 palestinos, três deles com gravidade.

Fontes informativas de Gaza relataram que os soldados do exército sionista dispararam contra os manifestantes uma barragem de balas reais e de bombas de gás de alta velocidade, em diferentes lugares do pequeno território costeiro, designadamente na cidade de Gaza, Jabalia, campo de refugiados de al-Boreij, Khan Younis e Rafah.

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