Política e Organizações Internacionais

O MPPM condena firmemente a invasão actualmente em curso do território sírio pela Turquia.
 
Esta invasão, infelizmente, está longe de ser caso excepcional. Trata-se antes do mais recente episódio da guerra imposta à Síria desde há oito anos, visando a sua fragmentação e a liquidação do seu papel no apoio ao povo palestino, na oposição ao sionismo e aos desígnios imperiais na região.
 
A guerra contra a Síria não pode também ser entendida fora do quadro das agressões e ingerências ocidentais na região, nomeadamente no Iraque, na Líbia, no Iémen, com devastadoras consequências para os seus povos martirizados.
 
A ingerência externa na Síria, incluindo o financiamento e armamento de grupos terroristas, tem sido levada a cabo não só pela Turquia como por Israel e pelas petromonarquias árabes, e ainda pelos EUA e por Estados da União Europeia que ilegalmente mantêm tropas no país.
 

A cidade alemã de Dortmund reverteu a sua decisão de conceder um prémio literário à romancista Kamila Shamsie por esta apoiar o movimento BDS de apoio ao povo palestino.

Em 10 de Setembro foi anunciado que a escritora britânico-paquistanesa recebera o Prémio Nelly Sachs.

Mas numa declaração publicada no passado dia 18, o painel de oito jurados anunciou que retirava o prémio à escritora por esta apoiar o movimento BDS.

«O posicionamento político de Shamsie de participar activamente no boicote cultural como parte da campanha da BDS contra o governo israelita está claramente em contradição com os objectivos estatutários e o espírito do Prémio Nelly Sachs», afirma o comunicado do júri.

Israel proibiu nesta quinta-feira as congressistas democratas estado-unidenses Rashida Tlaib e Ilhan Omar de entrarem no país, para uma visita a Israel e à Cisjordânia ocupada.

A decisão do governo de Benjamin Netayahu surgiu pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionar Israel a proibir a entrada das duas deputadas à Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA.

«Mostraria uma grande fraqueza se Israel permitisse a visita da congressista Omar e da congressista Tlaib», escreveu Trump no Twitter. «Elas odeiam Israel e todo o povo judeu, e não há nada que se possa dizer ou fazer para que mudem de ideias.»

Rashida Tlaib e Ilhan Omar, as duas primeiras mulheres muçulmanas eleitas para o Congresso dos EUA, têm repetidamente criticado a política de Trump e de Israel em relação aos palestinos.

O MPPM protesta contra a perseguição a activistas da solidariedade com a causa do povo palestino, nomeadamente Angeles Maestro em Espanha e Khaled Barakat na Alemanha, aos quais manifesta a sua solidariedade. 

Angeles Maestro e outras duas activistas são acusadas pela Audiência Nacional espanhola de colaboração com «organização terrorista» por recolherem fundos para a reconstrução da Faixa de Gaza, após a agressão israelita de 2014, que entregaram a Leila Khaled, conhecida dirigente da FPLP. Recorde-se que Leila Khaled visitou Portugal em Novembro de 2014, a convite do MPPM, e teve reuniões na Assembleia da República com o Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Palestina e com os Grupos Parlamentares do PCP, PEV, PSD, BE e PS.

Em pouco mais de um século, entre 1900 e 2018, a população judaica na Palestina Histórica mais do que centuplicou (de 50 000 para 6 700 000), enquanto a população autóctone pouco mais que decuplicou (de 550 000 para 6 500 000). Este é o resultado de uma imigração maciça de judeus associada a uma limpeza étnica dos palestinos conseguida por expulsões e massacres. Ao mesmo tempo, através de guerras e manobras políticas, Israel assumiu o controlo, de jure, de 95% do território da Palestina do Mandato Britânico (deixando aos palestinos a Faixa de Gaza e a Área A da Cisjordânia), mas controla, de facto, a totalidade do território.

Nesta Folha Informativa recordamos os acontecimentos e identificamos os responsáveis por esta situação, tanto a nível demográfico como territorial, desde o domínio otomano à actualidade, passando pelo Mandato Britânico, pela criação do Estado de Israel e a Nakba, pela guerra de 1967 e a expansão sionista e pelos Acordos de Oslo e suas consequências.

Milhares de palestinos protestaram nesta terça-feira na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza cercada contra o lançamento do «plano de paz» do governo dos EUA para o Médio Oriente.
 
Cerca de 3000 pessoas manifestaram-se em Nablus, no norte da Cisjordânia, registando-se também manifestações em Ramala e Hebron.
 
Na Faixa de Gaza foi convocada uma greve geral e a maioria das lojas e restaurantes fecharam.
 
Numa conferência de dois dias no Barém, iniciada na terça-feira, os EUA propõem-se apresentar um conjunto de propostas económicas, alegadamente com o objectivo de abrir caminho para um processo de paz entre israelenses e palestinos.
 
A apresentação da parte política do plano vem a ser sucessivamente adiada, estando agora anunciada para depois das eleições israelitas de Setembro.
 

Os dirigentes palestinos rejeitaram as propostas da parte económica do «acordo do século» dos EUA, que serão discutidas numa reunião internacional a realizar esta semana no Barém.

«Primeiro que tudo, dêem-nos a nossa terra e a nossa liberdade», declarou o ministro das Finanças da Autoridade Palestina, Shukri Bishara. «Não precisamos da reunião do Barém para construir o nosso país, precisamos da paz, e a sequência do plano — recuperação económica seguida pela paz — é irrealista e uma ilusão»,

De facto, a apresentação da parte política do «plano de paz» da administração Trump, está mais uma vez adiada, desta vez para depois das eleições israelitas de Setembro.

Este Verão marca um aniversário importante, mas muitas vezes negligenciado, na história da Faixa de Gaza. Há trinta anos, em Junho de 1989, Israel impôs pela primeira vez um sistema de cartão magnético para restringir a saída de residentes palestinos. A quem tivesse sido negado um cartão seria impedida a saída.

Embora o bloqueio de Israel a Gaza seja frequentemente visto como uma resposta à ascensão do Hamas ao poder em 2006-2007, o isolamento do enclave remonta a três décadas atrás e, para muitos analistas, essa perspectiva histórica é essencial para entender os desenvolvimentos actuais.

«Eu acho que é extremamente importante olhar para o contexto mais amplo para entender o que está a acontecer hoje em Gaza», disse Tania Hary, directora executiva da ONG israelita de direitos humanos Gisha, à Al Jazeera.

O Estádio de Gaza City foi bombardeado pela aviação israelita em Abril de 2006 e Novembro de 2012

A Associação de Futebol de Israel tem entre os seus membros seis equipas de futebol dos colonatos ilegais construídos em território palestino ocupado pela violência. A FIFA recusa impor-lhe a sua norma que proíbe a organização de jogos em território ocupado. Entretanto, a Puma assumiu o patrocínio da Associação de Futebol de Israel quando a Adidas se retirou sob pressão da opinião pública internacional.

Os colonatos são ilegais pelo direito internacional

Desde que, em 1967, Israel ocupou militarmente a Cisjordânia (além da Faixa de Gaza, de Jerusalém Oriental e dos Montes Golã sírios), tem desenvolvido uma política de facto consumado nos territórios ocupados, nomeadamente, através da construção de colonatos. Os colonatos são ilegais à luz do direito internacional humanitário (IV Convenção de Genebra) que proíbe uma potência ocupante de alterar demograficamente o território ocupado ou de aí efectuar construções permanentes.

David Friedman, embaixador dos EUA em Israel, disse numa entrevista publicada neste sábado no New York Times que o Estado sionista tem o direito de anexar pelo menos «parte» da Cisjordânia ocupada.

Os palestinos condenaram de imediato as declarações de Friedman, que é há muito um férreo defensor dos colonatos, tendo dirigido antes de ser nomeado embaixador a organização sionista Friends of Bet El, que financia colonatos construídos em terras palestinas roubadas.

Saeb Erekat, secretário-geral do Comité Executivo da OLP, afirmou que as declarações de Friedman evidenciam que a sua visão, que compartilha com o presidente dos EUA, Donald Trump, é «a anexação do território ocupado, que é um crime de guerra segundo o direito internacional».

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