Vila Nova de Gaia acolheu o III Encontro pela Paz

No sábado 28 de Outubro realizou-se, com a presença de cerca de 800 pessoas, o III Encontro pela Paz promovido pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e mais 12 organizações e entidades, nomeadamente o MPPM, as Câmaras Municipais de Vila Nova de Gaia, Évora e Setúbal, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN), a Juventude Operária Católica (JOC), a Federação Nacional de Professores (FENPROF), a Confederação Portuguesa de Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD), a Obra Católica Portuguesa das Migrações, os Municípios pela Paz, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) e a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).

Este III Encontro pela Paz, que vem na sequência dos Encontros de Loures (2018) e Setúbal (2021), decorreu no Pavilhão Municipal de Vila Nova de Gaia, em Oliveira do Douro, entre as 10h30 às 17h30, sob o lema «A Paz e os 50 anos de Abril». Após a actuação do grupo de bombos da Associação Recreativa «Os Mareantes do Rio Douro», o Encontro foi aberto pelas intervenções do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e da Presidente do CPPC, Ilda Figueiredo.

Os trabalhos decorreram em três Mesas. O painel de cada Mesa era integrado por algumas das organizações promotoras e, após as suas intervenções, foram abertos períodos de intervenção dos presentes. Realizado em plena agressão de Israel contra o povo da Faixa de Gaza, a solidariedade com o povo da Palestina percorreu muitas das intervenções feitas durante este III Encontro pela Paz.

O tema da Primeira Mesa foi «Paz e Desarmamento». Integravam a Mesa Rui Garcia, Vice-Presidente do CPPC; Regina Marques, pelo MDM; José António Gomes, pelo MPPM; e Teresa Lopes, pela URAP.

Na intervenção do dirigente do MPPM, José António Gomes, exigiu-se «o fim da complacência e do apoio militar e financeiro dos EUA e doutros países, nomeadamente da Europa, à lógica belicista, incumpridora de direitos humanos e genocida do estado de Israel» e instou-se «o governo português e outros governos a escutarem o clamor que se ergue por todo o mundo em solidariedade com o povo palestino (vozes que não podem ser caladas, nem por esses governos nem pelos media dominantes) e reclamar desses governos posições de condenação da violação do direito internacional e humanitário por parte de Israel, e de defesa dos legítimos direitos do povo palestino».

A Segunda Mesa teve por tema «Cultura e Educação para a Paz». Integravam a Mesa José Costa, pela FENPROF; Paula Carvalhal, vereadora da Câmara Municipal de Gaia; Adelino Soares pela CPCCRD; Pedro Pina, vereador da cultura da Câmara Municipal de Setúbal; e Gabriel Esteves, coordenador da JOC.

Durante o período de debate, Jorge Cadima do MPPM interveio, afirmando que «não há ideia mais importante para a Cultura e Educação pela Paz do que a expressa no primeiro Artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos [que] começa assim: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos". E como todas as acções contra civis são condenáveis, não podemos aceitar a ideia que nos querem vender de que há civis de primeira categoria e civis de segunda categoria. É urgente, é inadiável pôr imediatamente fim ao massacre que Israel está a cometer em Gaza e em toda a Palestina».

A Terceira Mesa abordou o tema «Solidariedade e Cooperação». Foi integrada por Joaquim Tavares, Vice-Presidente da Câmara Municipal do Seixal, em representação dos Municípios pela Paz; por Catarina Martins Bettencourt, em representação da Obra Portuguesa Católica das Migrações; por Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP-IN; e por Carlos Sá, presidente da Câmara Municipal de Évora, que coordena em Portugal o movimento de Presidentes de Câmara pela Paz (Mayors for Peace).

Na parte de intervenções do público, interveio o vice-presidente do MPPM Carlos Almeida, que afirmou: «A palavra que aqui quero trazer-vos é só uma: urgência! urgência! A urgência da solidariedade, da solidariedade com um povo que luta pela sua sobrevivência, pela sua liberdade. Em nome do sentido de humanidade, dos valores mais básicos e mais elementares fundadores da noção de comunidade que une, que deve unir todos os seres humanos, iguais em direitos e em deveres. Por cada bomba lançada sobre Gaza, por cada criança soterrada sob os escombros da sua casa, cada um de nós morre um pouco. O secretário-geral das Nações Unidas publicou ontem uma nota breve numa rede social que terminava com a frase: este é um momento da verdade. Hoje é a nossa vez, este é o nosso tempo, esta é a nossa responsabilidade. É preciso travar o genocídio, o caminho para o abismo, a histeria e a irracionalidade, a mais monstruosa campanha de desumanização que conhecemos, tão cruel, tão brutal que a simples exigência de um cessar-fogo se transformou numa reclamação radical».

O III Encontro pela Paz terminou com a leitura, pelo coordenador da JOC, do Apelo à Defesa da Paz, aprovado pelas organizações promotoras do Encontro.

Após o final do Encontro efectuou-se em frente ao Pavilhão uma concentração de solidariedade com a Palestina, que foi animada pela Associação Cultural e Recreativa «Fanfarra da Alameda de São João».
 

José António Gomes | É legítima a resistência dos Palestinos à ocupação
Jorge Cadima | A Paz é urgente, a Paz é inadiável!
Carlos Almeida | Ninguém pode dizer: eu não sabia!
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