Estados Unidos estão a branquear assassinato de Shireen, acusa a família

«As acções da sua administração só podem ser vistas como uma tentativa de apagar o assassinato extrajudicial de Shireen e reforçar ainda mais a impunidade sistémica de que gozam as forças israelitas», escreve a família de Abu Akleh numa carta dirigida a Joe Biden a poucos dias da sua viagem a Israel.

Ao longo destes dois meses desde o assassinato de Shireen, em 11 de Maio, têm-se sucedido as investigações independentes que apontam todas no sentido de responsabilizar as IDF Israel Defense Forces) pelos disparos intencionais que a vitimaram. Por isso, os palestinos ficaram indignados quando o Departamento de Estado norte-americana divulgou uma declaração dizendo que a bala que matou Abu Akleh "provavelmente" provinha de uma posição militar israelita, mas desvalorizando o incidente como sendo o «resultado não intencional de circunstâncias trágicas».

A família de Abu Akleh, que confessa sentir «dor, indignação e um sentimento de traição» por parte de Biden, exorta a administração norte-americana a retractar aquela declaração alegando que o porta-voz do Departamento de Estado tinha reconhecido que «o governo dos Estados Unidos não conduziu, de facto, a sua própria investigação, nem sequer a análise jurídica, e que o Departamento de Estado se contentou com uma mera "síntese" – e adopção – da investigação das autoridades israelitas.»

A família recorda o apreciável número de investigações conduzidas por órgãos de comunicação social e organizações internacionais, tendo todas concluído que um soldado israelita disparou o tiro que matou Shireen.

A carta, que transcrevemos na íntegra mais abaixo, termina pedindo uma entrevista com Biden e apresentando uma lista de exigências para assegurar a responsabilização pelo assassinato de Shireen.

Damos também conta da importante declaração da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e fazemos uma síntese dos resultados de algumas investigações independentes tornados públicos.

Declaração das Nações Unidas

Em 24 de Junho, a porta-voz da Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) divulgou em Genebra uma declaração em que confirma que «os tiros que mataram Abu Akleh e feriram o seu colega Ali Sammoudi vieram das Forças de Segurança israelitas e não de disparos indiscriminados por palestinos armados». A investigação da ONU destaca ainda que se tratou de «várias balas isoladas, aparentemente bem apontadas», o que indicia intencionalidade. A concluir, a declaração destaca que, desde o início do ano, «as forças de segurança israelitas mataram 58 palestinos na Cisjordânia, incluindo 13 crianças.»

Este é o texto integral da declaração da ACNUDH:

«Mais de seis semanas após o assassinato da jornalista Shireen Abu Akleh e o ferimento do seu colega Ali Sammoudi em Jenin, a 11 de Maio de 2022, é profundamente perturbador que as autoridades israelitas não tenham conduzido uma investigação criminal.

Nós, no Gabinete dos Direitos Humanos da ONU, concluímos a nossa análise independente do incidente. Todas as informações que reunimos – incluindo informações oficiais dos militares israelitas e do Procurador-Geral palestino – são consistentes com a descoberta de que os tiros que mataram Abu Akleh e feriram o seu colega Ali Sammoudi vieram das Forças de Segurança israelitas e não de disparos indiscriminados por palestinos armados, como inicialmente afirmado pelas autoridades israelitas. Não encontrámos informação que sugerisse que havia actividade de palestinos armados na vizinhança imediata dos jornalistas.

De acordo com a nossa metodologia global de monitorização dos direitos humanos, o nosso Gabinete inspeccionou material fotográfico, vídeo e áudio, visitou o local, consultou peritos, reviu comunicações oficiais e entrevistou testemunhas.

De acordo com as nossas conclusões, a 11 de Maio de 2022, pouco depois das 06h00, sete jornalistas, incluindo Shireen Abu Akleh, chegaram à entrada ocidental do campo de refugiados de Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada, para cobrir uma operação de detenção em curso pelas forças de segurança israelitas e os confrontos que se seguiram. Os jornalistas disseram que escolheram uma rua lateral para a sua abordagem a fim de evitar o local de palestinos armados dentro do campo e que avançaram lentamente a fim de tornar a sua presença visível para as forças israelitas destacadas para a rua. As nossas conclusões indicam que não foram emitidos avisos e que não houve tiroteios nessa altura e nesse local.

Por volta das 06h30, quando quatro dos jornalistas se viraram para a rua que conduzia ao campo, usando capacetes e coletes à prova de bala com identificações de "PRESS", várias balas isoladas, aparentemente bem apontadas, foram disparadas contra eles a partir da direcção das Forças de Segurança israelitas. Uma bala isolada feriu Ali Sammoudi no ombro, outra bala isolada atingiu Abu Akleh na cabeça e matou-a instantaneamente. Várias outras balas isoladas foram disparadas quando um homem desarmado tentou aproximar-se do corpo de Abu Akleh e de outra jornalista ilesa, abrigada atrás de uma árvore. Continuaram a ser disparados tiros enquanto este indivíduo acabou por conseguir levar o corpo de Abu Akleh.

A Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos Michelle Bachelet continua a instar as autoridades israelitas para abrir uma investigação criminal sobre o assassinato de Abu Akleh e sobre todos os outros assassinatos e ferimentos graves cometidos pelas forças israelitas na Cisjordânia e no contexto das operações de aplicação da lei em Gaza. Apenas desde o início do ano, o nosso Gabinete verificou que as forças de segurança israelitas mataram 58 palestinos na Cisjordânia, incluindo 13 crianças.

A legislação internacional dos direitos humanos exige uma investigação rápida, exaustiva, transparente, independente e imparcial sobre qualquer uso da força que resulte em morte ou ferimentos graves. Os perpetradores devem ser responsabilizados.»

As investigações independentes

Desde o assassinato de Shireen Abu Akleh, sem 11 de Maio, têm-se sucedido as investigações independentes.

A primeira a ser tornada pública, apenas três dias após o crime, foi a do Bellingcat, um colectivo internacional de investigadores e jornalistas que conduz as suas investigações a partir da informação disponível em fonte aberta e nas redes sociais.

O seu relatório Unravelling the Killing of Shireen Abu Akleh (“Desvendando o Assassinato de Shireen Abu Akleh”), divulgado em 14 de Maio, conclui que as provas em vídeo disponíveis confirmam os relatos de múltiplas testemunhas que responsabilizam os soldados das IDF (Israel Defense Forces) pelo assassinato:

«Como mostram as provas em vídeo de fonte aberta, quando soldados das IDF e um grupo armado estavam envolvidos em combates na rua onde Abu Akleh acabou por cair, a posição das IDF tinha uma trajectória clara e estava mais próxima do local onde ela foi alvejada. Isto contrasta com as posições mais obstruídas e mais distantes dos grupos armados. O veículo líder do comboio de veículos blindados IDF visto nas filmagens de bodycam estava localizado a aproximadamente 190 metros do local onde Abu Akleh foi alvejada. Em contraste, o grupo armado visto a disparar pela rua estava localizado a cerca de 300 metros de distância. […] A análise preliminar de áudio forense de um vídeo capturado na sequência do assassinato de Abu Akleh parece também sugerir que os tiros tiveram origem a cerca de 177 a 184 metros de distância».

Em 24 de Maio foi tornado público o resultado da investigação da Associated Press com o título Review suggests Israeli fire killed reporter, no final word (“A análise sugere que foi fogo israelita que matou repórter, sem uma palavra final”).

«Quase duas semanas após a morte da repórter veterana palestino-americana da Al Jazeera, uma reconstrução da The Associated Press dá apoio às afirmações, tanto das autoridades palestinas como dos colegas de Abu Akleh, de que a bala que a matou provinha de uma arma israelita.»

A AP confirma as afirmações do Bellingcat de que as forças israelitas estavam mais próximas de Shireen e tinham uma melhor linha de vista e descarta os dois cenários apresentados por Israel. No primeiro cenário, Shireen teria sido vitimada por fogo de militantes palestinos dirigidos aos soldados israelitas, o que é contrariado porque os palestinos estavam mais longe e havia obstáculos entre eles e a jornalista. No segundo cenário, haveria um atirador palestino situado entre os soldados e a jornalista e ela teria sido morta por fogo destinado ao militante palestino, mas todas as testemunhas negam que houvesse algum palestino à frente dos israelitas.

Em 26 de Maio foi a vez de a CNN divulgar as conclusões da sua investigação. A peça ‘They were shooting directly at the journalists': New evidence suggests Shireen Abu Akleh was killed in targeted attack by Israeli forces (“‘Estavam a disparar directamente contra os jornalistas’: Novas provas sugerem que Shireen Abu Akleh foi morta em ataque direccionado pelas forças israelitas”) é peremptória:

«Mas uma investigação da CNN oferece novas provas - incluindo dois vídeos da cena do tiroteio - de que não havia combate activo, nem quaisquer militantes palestinos, perto de Abu Akleh, nos momentos que antecederam a sua morte. Os vídeos obtidos pela CNN, corroborados pelo testemunho de oito testemunhas oculares, de um analista forense de áudio e de um perito em armas explosivas, sugerem que Abu Akleh foi morta a tiro num ataque direccionado pelas forças israelitas.»

Em 12 de Junho, com o título How Shireen Abu Akleh was killed (“Como foi morta Shireen Abu Akleh”), o Washington Post publicou os resultados da sua investigação que corroboram as conclusões de outras investigações anteriores:

«O Washington Post examinou mais de cinco dúzias de vídeos, publicações nos meios de comunicação social e fotografias do evento, realizou duas inspecções físicas da área e encomendou duas análises acústicas independentes dos tiros. Essa análise sugere que um soldado israelita no comboio militar provavelmente disparou e matou Abu Akleh. As Forças de Defesa de Israel, ou IDF, disseram ser possível que um dos seus soldados tenha disparado o tiro fatal, mas afirmaram que qualquer disparo foi dirigido contra um atirador palestino que estava entre os soldados israelitas e os jornalistas, e que os repórteres poderiam ter sido alvejados involuntariamente.

«Os militares israelitas não divulgaram quaisquer provas que demonstrem a presença de um atirador. As provas de vídeo e áudio disponíveis contestam as afirmações da IDF de que houve uma troca de tiros nos minutos anteriores à morte de Abu Akleh e apoiam os relatos de várias testemunhas oculares entrevistadas pelo The Post, que afirmaram não ter havido tiroteio na altura.»

A comunicação social norte-americana continuou a investigar a morte de Shireen Abu Akleh e, em 20 de Junho, foi a vez de o New York Times apresentar as suas conclusões em The Killing of Shireen Abu Akleh: Tracing a Bullet to an Israeli Convoy (“O assassinato de Shireen Abu Akleh: Rastreando uma bala até um combóio militar israelita”).

A investigação do NYT reconstituiu os momentos que conduziram ao assassinato de Abu Akleh, utilizando vídeos recolhidos de espectadores, jornalistas e câmaras de segurança, entrevistas com sete testemunhas, bem como os relatos dos militares israelitas, análise áudio de peritos e quatro visitas ao local por repórteres do jornal.

«O Times pediu a dois peritos - Robert C. Maher, especialista em acústica de tiros na Universidade Estatal de Montana, em Bozeman, e Steven Beck, antigo consultor de acústica do F.B.I. - que analisassem o som dos tiros dos vídeos.

Mr. Maher concluiu que os tiros foram disparados a pelo menos 181 jardas [166 metros] de onde os vídeos foram gravados, e até 211 jardas [193 metros] de distância. Mr. Beck determinou independentemente que foram disparados a uma distância de 170 a 196 jardas [156 a 180 metros].

Sete jornalistas e espectadores que estiveram no local também disseram que não havia pistoleiros nas proximidades, e funcionários israelitas não forneceram provas de nenhum deles.
O vídeo da câmara de vigilância e os vídeos tirados pelos espectadores antes do tiroteio mostram que o primeiro veículo do comboio israelita se encontrava poucas jardas fora do alcance calculado pelos peritos - a cerca de 200 jardas do local onde Ms. Abu Akleh foi alvejada.

A análise forense dos 16 tiros revelou que as balas foram disparadas de uma distância de 170 a 211 jardas das câmaras de vídeo. Os tiros provavelmente vieram de um veículo blindado israelita que tinha sido estacionado mesmo no limite desse alcance.»

A carta da família de Shireen Abu Akleh

Caro Sr. Presidente:

Nós, a família de Shireen Abu Akleh, escrevemos para expressar o nosso pesar, indignação e sentimento de traição relativamente à resposta abjecta da sua administração ao assassínio extrajudicial da nossa irmã e tia, pelas forças israelitas, em 11 de Maio de 2022, quando estava em missão na cidade palestina ocupada de Jenin, na Cisjordânia.

Shireen era uma jornalista palestina proeminente e amada. Era um modelo a seguir e uma mentora de aspirantes a jornalistas palestinas, e uma colega de confiança de muitos dos meios de comunicação locais e internacionais. Era também uma cidadã dos Estados Unidos. Apesar de usar um capacete protector e um colete azul à prova de bala claramente marcado como "PRESS", Shireen foi assassinada por uma bala israelita disparada para a cabeça. As forças israelitas continuaram a fazer fogo real enquanto os espectadores – que incluíam outros membros da comunicação social – tentavam prestar assistência. Depois, enquanto nós e centenas de outros nos reuníamos para iniciar a sua procissão fúnebre, as forças israelitas atacaram-nos, espancando os acompanhantes e os portadores do caixão, perturbando violentamente o digno funeral que ela merecia.

Nos dias e semanas que passaram desde que um soldado israelita matou Shireen, não só não fomos adequadamente consultados, informados e apoiados por funcionários do governo dos EUA, como as acções da sua administração demonstram uma aparente intenção de minar os nossos esforços no sentido da justiça e da responsabilização pela morte de Shireen. Investigações conduzidas pelas Nações Unidas, pelo New York Times, pelo Washington Post, pela CNN, pela Associated Press, pelo Bellingcat e pela B'Tselem concluíram que um soldado israelita disparou o tiro que matou Shireen. Todas as provas disponíveis sugerem que Shireen, uma cidadã norte-americana, foi alvo de um assassínio extrajudicial, mas a sua administração falhou completamente em satisfazer as expectativas mínimas de uma família enlutada – assegurar uma investigação rápida, completa, credível, imparcial, independente, eficaz e transparente que conduza a uma verdadeira justiça e responsabilização pelo assassinato de Shireen.

Em vez disso, os Estados Unidos têm-se esquivado para levar ao apagamento de qualquer acto ilícito por parte das forças israelitas. Desde a incapacidade de assegurar imediatamente uma investigação independente e imparcial, até à entrega apressada da bala que matou Shireen sem consulta e muito menos permitindo-nos ter um representante presente, culminando na declaração de 4 de Julho que adoptou as conclusões e os pontos de discussão do governo israelita, o envolvimento da sua administração serviu para branquear o assassinato de Shireen e perpetuar a impunidade. Pouca informação foi partilhada sobre quem supervisionou o “somatório” americano das investigações, quem participou na avaliação balística, ou quaisquer qualificações ou descobertas individuais específicas que conduziram às conclusões emitidas pela sua administração. É como se esperasse que o mundo e nós nos limitássemos a andar para a frente. O silêncio teria sido melhor.

Deixou claro que a sua administração está disposta a abdicar da sua responsabilidade relativamente ao assassínio extrajudicial de Shireen por Israel. A declaração à imprensa do porta-voz do Departamento de Estado Ned Price, a 4 de Julho, anunciou que o assassinato de Shireen era provavelmente não intencional, no entanto, quando pressionado por repórteres durante a conferência de imprensa de 5 de Julho, o Sr. Price admitiu que ninguém presente estava qualificado para chegar a uma conclusão sobre a intenção. Clarificou também que o governo dos Estados Unidos não conduziu, de facto, a sua própria investigação, nem sequer a análise jurídica, e que o Departamento de Estado se contentou com uma mera "síntese" – e adopção – da investigação das autoridades israelitas. No entanto, a sua administração considerou necessário incluir e perpetuar a conclusão infundada e prejudicial de que o assassinato não foi intencional, escolhendo aparentemente a conveniência política em detrimento da responsabilização real pelo assassinato de um cidadão norte-americano por parte de um governo estrangeiro.

Recordamos-lhe que no dia 11 de Maio, o dia em que um soldado israelita matou Shireen, o Sr. Price esteve no pódio do Departamento de Estado para condenar veementemente o seu assassinato e apelar a «uma investigação imediata e minuciosa e plena responsabilização». Depois, a 5 de Julho, esse apelo à plena responsabilização foi reduzido a nada mais do que uma declaração contorcida de que Israel «em breve estará em posição de considerar medidas para salvaguardar ainda mais os não combatentes». Estamos incrédulos de que tal expectativa seja o auge da resposta da sua administração ao assassinato de Shireen. As forças israelitas há muito que não conhecem limites, perpetrando crimes de guerra e matando civis palestinos impunemente, incluindo os claramente identificáveis como crianças, pessoal médico e jornalistas. Oficiais e forças armadas israelitas são habilitados e capacitados através de armas e assistência financeira incondicional dos EUA, e depois recebem apoio diplomático quase absoluto para proteger os oficiais israelitas de qualquer responsabilização.

Desde que as forças israelitas mataram a nossa Shireen, os legisladores têm-no pressionado para cumprir a forte condenação e apelam à «plena responsabilização» relativamente à morte do Shireen. Em 19 de Maio, 57 membros do Congresso enviaram uma carta ao Secretário de Estado Antony Blinken e ao Director Federal do Bureau of Investigation Christopher Wray para exigir que o Departamento de Estado e o FBI iniciem uma investigação sobre o assassinato de Shireen. Em 6 de Junho, os senadores Jon Ossof e Mitt Romney enviaram uma carta ao Secretário de Estado Blinken insistindo que a administração assegurasse uma «investigação e responsabilização completas e transparentes». A 23 de Junho, o Senador Chris Van Hollen e 23 dos seus colegas do Senado enviaram-lhe uma carta exigindo-lhe o envolvimento directo dos Estados Unidos na investigação do assassinato de Shireen, sublinhando a importância de uma investigação independente, completa e transparente.

Nós reafirmamos estas exigências em nome da nossa amada Shireen, uma vez que as acções da sua administração até à data não só ficaram lamentavelmente aquém da «plena responsabilização», como também equivalem a expressar a aceitação do assassinato da Shireen. As acções da sua administração só podem ser vistas como uma tentativa de apagar o assassínio extrajudicial de Shireen e de reforçar ainda mais a impunidade sistémica de que gozam as forças e os funcionários israelitas por matarem ilegalmente palestinos.

Nós convidamo-lo a:

1. Reunir-se connosco durante a sua próxima visita e ouvir directamente de nós as nossas preocupações e exigências de justiça.

2. Fornecer-nos toda a informação recolhida pela sua administração até à data sobre o assassinato de Shireen, incluindo quaisquer provas revistas e avaliadas por funcionários dos EUA, as identidades e qualificações de todos os indivíduos presentes durante a última revisão das provas, quaisquer relatórios forenses ou outra informação que não nos tenha sido fornecida nem à nossa equipa jurídica.

3. Retractar o comunicado de imprensa do Departamento de Estado de 4 de Julho, dado que a própria conta do Departamento indica que não se baseia em qualquer avaliação credível.

4. Instruir o Departamento de Justiça, incluindo o Gabinete de Direitos Humanos e Ministério Público Especial, o FBI e quaisquer outros gabinetes ou agências norte-americanos relevantes, para tomar medidas sobre o assassinato extrajudicial de Shireen.

5. Finalmente, e seria desnecessário dizê-lo, esperamos que a administração Biden apoie os nossos esforços no sentido de promover a responsabilização e a justiça para Shireen, para onde quer que nos levem.

Sinceramente,

Anton Abu Akleh
Em nome da Família Abu Akleh

CC: Secretário de Estado Sr. Antony Blinken

Print Friendly, PDF & Email
Share