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Exército israelita detém palestino perto de Nablus

O exército de ocupação israelita continuou as agressões e detenções nos territórios palestinos ocupados, apesar da propagação do coronavírus. Segundo informações do Centro de Estudos dos Prisioneiros Palestinos, durante o mês de Março registaram-se 250 detenções, incluindo 54 menores e 6 mulheres.

O porta-voz do Centro, o investigador Riyad Al-Ashqar, acusa a ocupação de pôr constantemente em perigo a vida dos palestinos ao continuar a efectuar detenções nestas circunstâncias excepcionais que afectam o mundo inteiro.

Al-Ashqar considera as práticas da ocupação para com os prisioneiros como um claro desrespeito pelas suas vidas, salientando que as autoridades israelitas recusaram durante o mês passado, e continuam a recusar, aplicar as medidas de segurança necessárias para impedir a propagação do coronavírus nas prisões.

A organização de direitos humanos Euro-Mediterranean Monitor, sedeada em Genebra, apelou à comunidade internacional para forçar as forças armadas israelitas a pôr termo às incursões em cidades e vilas palestinas por representarem uma ameaçam para as medidas preventivas tomadas pela Autoridade Palestina para controlar o surto de coronavírus. Pediu também para investigar e responsabilizar o comportamento suspeito de vários soldados e colonos israelitas no que parece ser uma tentativa de espalhar a infecção.

Ontem, soldados israelitas, fortemente armados e acompanhados de cães, lançaram gás lacrimogénio e granadas atordoantes, invadiram casas e procederam a detenções na cidade de Ramala. Na sequência da incursão o município de Ramallah mandou esterilizar as ruas, locais públicos e prédios invadidos pelos soldados israelitas, segundo declarou à agência noticiosa WAFA o presidente da câmara municipal, Moussa Hadid.

No Dia da Terra e no segundo aniversário do início da Grande Marcha do Retorno, uma coligação europeia de organizações, entre as quais o MPPM, lança uma petição para que a União Europeia deixe de utilizar drones israelitas para controlar as suas fronteiras marítimas.

Os drones Hermes, fabricados pela Elbit Systems, a maior empresa militar israelita, foram desenvolvidos especificamente para serem usados pelas forças armadas israelitas para manter a Faixa de Gaza sob o cerco desumano a que está sujeita por Israel desde há mais de uma dezena de anos. Segundo a Human Rights Watch, esses drones foram realmente usados para deliberadamente atingir civis na Faixa de Gaza durante os massacres de 2008-2009. Os drones da Elbit Systems também foram usados para matar civis no Líbano na guerra de 2006 levada a cabo por Israel.

Assinala-se hoje, na Palestina e em todas as suas diásporas espalhadas pelo mundo, o Dia da Terra. Este ano, o povo palestino evoca os acontecimentos de 1976 numa situação particularmente difícil em resultado da pandemia COVID-19. O previsível avanço da doença, propulsionado pelas deficientes condições sanitárias em que vive a generalidade da população palestina, em especial nos campos de refugiados e na Faixa de Gaza, faz temer o pior. Em paralelo, Israel intensifica os abusos contra os palestinos, levantando obstáculos às medidas de apoio e prevenção da pandemia tomadas nas comunidades palestinas e explorando a situação para acelerar a anexação de facto do território palestino.

Na manhã de ontem, segundo informação da B’Tselem - organização israelita de direitos humanos -, funcionários israelitas escoltados por militares, deslocaram-se à comunidade palestina de Khirbet Ibziq, no norte do Vale do Jordão, onde confiscaram diversos materiais e equipamentos destinados à montagem de tendas para uma clínica de campanha e para alojamento de emergência dos residentes evacuados de suas casas.

Enquanto por todo o mundo inteiro se luta contra uma crise sanitária sem precedentes, as forças armadas israelitas dedicam tempo e recursos a perseguir as comunidades palestinas mais vulneráveis da Cisjordânia, comunidades de pastores e agricultores que vivem na designada Área C (sob controlo civil e militar de Israel) e que Israel tenta, por todos os meios, que abandonem as suas terras, tornando-lhes a vida intolerável, para poder concluir o processo de anexação de facto do território ocupado.

Apesar da situação de emergência sanitária que exige que os residentes de Israel e dos Territórios Ocupados tomem medidas extremas de isolamento social, a polícia de Israel optou, precisamente nesta altura, por intensificar os seus abusos e punições colectivas contra os palestinos no bairro de al-'Esawiyah, em Jerusalém Oriental – denuncia a organização israelita de direitos humanos B’Tselem.

Nas semanas que se seguiram à guerra de Junho de 1967 (“Guerra dos Seis Dias”), as notícias dos meios de comunicação insinuavam que esse desastre ditaria o fim do povo palestino. Fadwa Tuqan escreveu então este notável poema com que nos associamos ao Dia Mundial da Poesia.

O DILÚVIO E A ÁRVORE

Quando a tempestade satânica chegou e se espalhou
No dia do dilúvio negro lançado
Sobre a boa terra verdejante
“Eles” contemplaram.
Os céus ocidentais ressoaram com explicações de regozijo:
“A Árvore caiu!
O grande tronco está esmagado! O dilúvio deixou a Árvore sem vida!”

Caiu realmente a Árvore?
Nunca! Nem com os nossos rios vermelhos correndo para sempre,
Nem enquanto o vinho dos nossos membros despedaçados
Saciar nossas raízes sequiosas
Raízes árabes vivas
Penetrando profundamente na terra.

Hanan Ashrawi, membro do Comité Executivo da OLP, denunciou o aproveitamento pelas autoridades israelitas do isolamento da Cisjordânia devido ao surto de coronavirus para acelerar a anexação de território palestino ocupado ao mesmo tempo que protege os ataques de colonos contra civis palestinos indefesos.

«Enquanto a comunidade internacional procura cooperar no combate à propagação do vírus Covid 19, Israel está a explorar a situação para acelerar a anexação de facto de terras palestinas, fornecendo protecção e cobertura aos colonos israelitas armados nos seus ataques terroristas contra comunidades palestinas indefesas por toda a Cisjordânia ocupada», disse Ashrawi numa declaração à imprensa divulgada pela agência noticiosa WAFA.

No 8 de Março, proclamado Dia Internacional da Mulher pela Assembleia Geral da ONU em 1977, o MPPM presta homenagem às mulheres de todo o mundo e à sua luta pela liberdade, pela justiça, pela igualdade e pela eliminação de todas as formas de discriminação, e de forma muito especial às mulheres palestinas.

A Flotilha da Liberdade vai navegar de novo para Gaza, em Maio próximo, sob o lema «Para as Crianças de Gaza», com dois objectivos importantes:

- Desafiar e pôr termo ao ilegal e desumano bloqueio israelita a Gaza
- Restaurar os direitos das crianças e jovens em Gaza pela vida, segurança e liberdade de movimentos.

Em 2020 assinalam-se duas datas chave: por um lado, é o ano em que sucessivos relatórios das Nações Unidas consideram que Gaza se tornará inabitável se o bloqueio não terminar; por outro, Maio de 2020 marcará 10 anos desde o ataque das forças israelitas a barcos, incluindo o Mavi Marmara, em águas internacionais, onde mataram 10 pessoas e feriram gravemente outras 56.

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