Incursão de mais de 200 extremistas israelitas no complexo muçulmano de Al-Aqsa

Mais de 200 extremistas de direita israelitas «invadiram» o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, localizado no bairro da Cidade Velha de Jerusalém Oriental ocupado, na manhã de terça-feira, 18 de Outubro. A incursão decorreu sob protecção das forças armadas israelitas, no segundo dia da festividade judaica de Sucot.
Já no dia anterior uns 43 israelitas também terem percorrido o complexo.
Testemunhas afirmaram que muitos israelitas tentaram realizar rituais religiosos, em violação de um acordo entre Israel e o Fundo Islâmico (Waqf) encarregado do complexo da Mesquita de Al-Aqsa, que proíbe orações não muçulmanas no local.
O director do complexo da Mesquita de Al-Aqsa, xeique Omar al-Kiswani, disse que polícias israelitas estacionados nos portões do complexo apreenderam os cartões de identidade dos fiéis muçulmanos antes de os deixar entrar na mesquita.
Al-Kiswani sublinhou que algumas organizações judaicas de direita já haviam exortado os israelitas a visitar a mesquita de Al-Aqsa durante as festividades judaicas, depois de terem recebido garantias do exército de Israel de que seria garantida a entrada a todos os judeus que desejassem visitar aquele lugar sagrado.
No início do mês, dezenas de israelitas de direita escoltados por forças de segurança israelitas já tinham percorrido o complexo de Al-Aqsa para a festividade judaica do Rosh Hashanah.
Desde o início do Rosh Hashanah, que marca o início de três festividades judaicas sucessivas, os residentes palestinos têm sentido um aumento da presença da polícia israelita em Jerusalém Oriental ocupada, incluindo incursões de grandes grupos de extremistas israelitas que tentam rezar no complexo.
Na semana passada, para a festividade judaica do Yom Kippur, que se segue ao Rosh Hashanah, foram aplicados uma série de encerramentos e foram realizadas operações de segurança reforçadas em toda a Margem Ocidental ocupada, em Jerusalém Oriental e no distrito da grande Jerusalém.
O complexo de al-Haram al-Sharif (santuário sagrado), que inclui a Cúpula da Rocha e a Mesquita de Al-Aqsa, é o terceiro local mais sagrado do Islão. Situa-se logo acima da praça do Muro Ocidental e também é venerado como lugar sagrado pelos judeus, que lhe chamam Monte do Templo, uma vez que crêem que outrora aqui se situavam o Primeiro e Segundo Templos, este destruído pelos romanos em 70 DC.
São permitidas as visitas judaicas ao complexo, mas é proibido o culto não-muçulmano, segundo um acordo assinado entre Israel e o governo da Jordânia depois da ocupação ilegal de Jerusalém Oriental por Israel em 1967. Apesar deste acordo, as autoridades israelitas autorizam regularmente visitantes judeus a entrarem no local — muitas vezes sob guarda armada. Estas visitas são normalmente realizadas por direitistas que tentam desestabilizar o status quo no local, e coincidem com restrições ao acesso de palestinos, incluindo a proibição de entrada e detenções.
As tensões em torno do complexo de Al-Aqsa foram um importante factor do aumento da agitação que começou em Outubro do ano passado, depois de israelitas de direita efectuarem frequentes visitas ao local durante uma sucessão de festividades judaicas.
 
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