Extremistas israelitas marcharam através de Jerusalém gritando “morte aos árabes”

Cerca de 5000 israelitas participaram ontem, terça-feira, na provocatória Marcha da Bandeira organizada por colonos israelitas de extrema-direita para comemorar a captura de Jerusalém pelas forças israelitas em 1967.

Os manifestantes empunhavam bandeiras e entoaram slogans racistas como «morte aos árabes» enquanto percorriam as áreas palestinas muçulmanas e cristãs na cidade ocupada.

A marcha tinha sido originalmente planeada para 10 de Maio para assinalar o que os israelitas chamam o dia da unificação de Jerusalém, em referência à ocupação da cidade em 1967, mas devidos às tensões existentes, só agora foi autorizada.

Yair Lapid, o Ministro dos Negócios Estrangeiros centrista que está no governo de coligação com o ultranacionalista de extrema-direita Naftali Bennett, disse no Twitter que o «facto de existirem elementos extremistas para os quais a bandeira de Israel representa ódio e racismo é revoltante e imperdoável. Isto não é judaísmo ou israelismo, e definitivamente não é o que a nossa bandeira simboliza. Estas pessoas são uma vergonha para a nação de Israel.»

Quatro deputados árabes no Parlamento de Israel, Ahmad Tibi, Ayman Odeh, Osama Saadi e Sami Abu Shehada, estiveram na Porta de Damasco e criticaram a decisão de permitir a marcha.

Também Mansour Abbas, um deputado árabe que se está a juntar ao novo governo de coligação israelita, advertira contra o incendiar da situação devido à aprovação da marcha que descreveu como «provocatória».

O Hamas tinha avisado Israel para não avançar com a marcha de terça-feira, tal como muitos outros, incluindo o Grande Xeique de Al-Azhar, a autoridade religiosa superior do Egipto.

Jactos israelitas voltam a bombardear Gaza

Os palestinos na Faixa de Gaza sitiada foram sujeitos a uma nova ronda de ataques aéreos israelitas durante as primeiras horas da manhã de hoje, quarta-feira, pondo em risco o frágil cessar-fogo acordado a 21 de Maio que pôs fim ao bombardeamento por aviões e drones israelitas, durante o qual mais de 250 palestinos foram mortos, incluindo mulheres e crianças.

Este ataque israelita surgiu na sequência da escalada da tensão em Jerusalém Oriental ocupada, onde a controversa Marcha da Bandeira foi autorizada apesar dos apelos dos palestinos. Israel alega que os seus jactos atacaram Gaza em retaliação a o Hamas ter lançado «balões incendiários», os quais, por sua vez, foram considerados como uma reacção à marcha provocatória.

A missão da Autoridade Palestina nas Nações Unidas condenou os últimos ataques aéreos de Israel contra os palestinos: «Depois da provocatória Marcha da Bandeira de hoje em Jerusalém», escreveu no Twitter, «Israel está agora a bombardear Gaza (1:00 da manhã, hora local na Palestina). Parece que [Israel] mais uma vez violou o direito internacional e quebrou os termos do “cessar-fogo”.»

Rabi extremista antecipa Marcha das Bandeiras em incursão provocatória na Mesquita de Al-Aqsa

O rabi e político israelita extremista Yehuda Glick liderou ontem um grupo de fanáticos israelitas que realizaram uma incursão provocatória no complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém ocupada.

A provocação surgiu num momento de tensão crescente resultante do plano de Israel de realizar a Marcha da Bandeira na Cidade Velha de Jerusalém.
A Mesquita de Al-Aqsa é considerada o terceiro local mais sagrado do Islão. Está localizada em Jerusalém Oriental, uma parte dos territórios palestinos internacionalmente reconhecidos como tendo sido militarmente ocupados por Israel em 1967.

As incursões dos colonos no complexo da mesquita sagrada, juntamente com a apropriação sistemática de propriedades palestinas em Jerusalém, são vistas como parte de um plano para transformar a cidade multicultural numa cidade judaica reunificada sob o controlo e soberania exclusiva do Estado ocupante de Israel.

Manifestações de protesto reprimidas com violência pelas forças israelitas

Respondendo ao apelo das facções nacionais e islâmicas palestinas para um dia de protestos contra a anunciada Marcha da Bandeira, realizaram-se manifestações pacíficas um pouco por toda a Palestina ocupada.

Na cidade de al-Bireh, as forças israelitas atacaram manifestantes com balas de aço revestidas de borracha e latas de gás lacrimogéneo, mas não foram relatados quaisquer ferimentos ou detenções.

Um comício realizado na cidade de Belém foi dispersado com balas de metal revestidas de borracha, granadas atordoantes e latas de gás lacrimogéneo, causando a sufocação de muitos manifestantes e de três jornalistas.

Foram testemunhados confrontos semelhantes na entrada do campo de refugiados al-Aroub, em Hebron, quando as forças israelitas atacaram palestinos em protesto fazendo com que muitos se asfixiassem após inalação de gás lacrimogéneo disparado pelas forças israelitas contra os manifestantes e as casas dos residentes.

A polícia israelita atacou palestinos, ferindo dezenas e detendo outros oito, antes da chegada da Marcha da Bandeira.

Para evacuar a zona de Bab al-Amoud (Porta de Damasco), em Jerusalém ocupada, as forças israelitas atacaram os palestinos espancando-os severamente com paus, bastões e as coronhas de espingardas, bem como utilizando fogo real e balas de aço revestidas de borracha. Pelo menos 33 pessoas ficaram feridas, das quais foram hospitalizadas.

Pelo menos oito pessoas, incluindo um jovem ferido a quem foi negado pelas forças israelitas ser levado para o hospital, foram detidas e levadas para um centro de interrogatório na cidade.

As forças israelitas dispararam granadas atordoantes e latas de gás lacrimogéneo contra manifestantes à entrada da cidade de al-Ram, a nordeste de Jerusalém ocupada, causando dezenas de asfixias.

Print Friendly, PDF & Email
Share